quinta-feira, 23 de maio de 2013

O Último que Soube foi meu Pai

O último que soube foi meu Pai. Os demais saberão por bocas, fofocas, e hipóteses. O primeiro fui eu, na verdade já sabia, mas não me esforçava a acreditar que as coisas eram assim. Nadar contra a correnteza, não é fácil. É entregar-se a sermões silenciosos, e confusos. É ser submetido a séries de terapias espirituais, sociais e familiares. O peso da palavra “contei”, vou “contar” ou quaisquer das outras variações é evolutiva. Tantas vezes rasas por contar, que acabou se dissolvendo, e fortalecendo morais sólidas. O que esperar da reação? A suposta cara, o suposto choque, o respirar silencioso, como se alguém tivesse morrido. Esse é o peso que é carregado por gerações, como sedimentos. É o peso do fundamentalismo, da pseudociência, de ser olhado como diferente, como fossemos contagiosos, e patológicos desequilibrados da ordem cristã, judaica e islâmica, entre outras. Digerir as informações do verbo contar, ou melhor, ouvir as informações que partem de uma ação, que é contar ao outro, que ouve, não é fácil. Pois bem, o último que soube foi meu Pai. Os demais saberão com o tempo. Fofocas familiares correm à solta, fulano, sicrano, e beltrano farão parte da dilatação da informação. As hipóteses serão julgadas pelas amizades, músicas ouvidas, e redes sociais. É difícil crescer numa sociedade, e ser colocado numa ordem determinada que as políticas doutrinadas julgam-se através de valores éticos e morais, mesmo criando uma identidade para pertencer a um determinado grupo. O que aprendemos hoje, é que não há padrões nas naturezas humanas. Evoluímos racionalmente na história, e é justamente isso que nos torna inclassificáveis. Será que o período que vivemos atualmente é tão insolúvel? Na arte, nas ciências naturais e na mente humana. A humanidade caminha, e vetores humanos querem barrar, criar uma resistência. Mas mesmo assim, caminha. Com muito sangue, e muita morte, novamente veremos algum dia o monólito de “2001: uma odisséia no espaço”. Aquele que apareceu na frança em 1779 lembra? E que pisou na Lua em 1969 lembra? A humanidade caminha para a real aceitação da liberdade de expressão. Os vilões desta história querem resistir com os seus livros teológicos. Morte ao Deus-Homem. Só assim, quem sabe, as mortes por padrões sociais serão aniquiladas.

Podendo pensar na globalização como meio de unificação das relações humanas, pois vejo que ela também nos possibilitará conhecer outras culturas, e assim, refletir os valores éticos e morais que varia de região em região. Chegando a conclusão de quantas verdades absolutas existem, e quantos sangues derramados por maneiras banais foram desperdiçados ao longo da história humana. E que infelizmente isso de certa forma contribuiu para nossa evolução racional. E com essa análise, não podemos cometer os mesmo erros já cometidos tantas vezes nas nossas vidas. Não podemos regredir racionalmente. Acima de tudo, o que contamos nada mais é que sentimentos, anseios, desejos e alívios de não mais poder suportar esse peso. O último que soube foi meu Pai. Pois é, geração não-acostumada, despreparada, e alienadas socialmente, e religiosamente, fazem aquela cara de pavor. A primeira coisa que veio em mente foi um cientista da idade média falando que a Terra não é o centro do universo, e as pessoas ao redor chamando-o de herege, e crucificando-o na fogueira. Hoje esse exemplo é banal, mas por esse e único motivo, muitos morreram. Dizer que é gay, é o mesmo que dizer que a Terra não é o centro do universo. Dizer que é uma mulher, é o mesmo que dizer que o Sol é uma, entre bilhares de outras estrelas. A humanidade hoje, em analogia a da idade média é a mesma nas questões de identidade. E esse é o próximo passo para caminharmos nesse tempo prigoginiano.

 Hudinilson Jr.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Tratamentos para doentes

Cura Gay?
Parece que a bancada evangélica é a favor!
Estuprar lésbica?
Parece que fundamentalistas são a favor!
Estou sendo extremista?
Estou sendo agressivo?
Parece que muitos psicólogos irão vender esta ideia.
Dar dinheiro, não é?
Somos humanos, não somos?
Toma o leite divino que cura!
Ah, este pastor não me representa!
Ah, a minha igreja não apoia esta ideia!
Na verdade, não concordamos.
Você que escolheu ser bicha, não é?
O Brasil não tá preparado para aceitar 'homossexualismo'!
"Mas sendo sincero, tem muitos homossexuais que tem preconceito!
Outro dia, estava com um amigo que é gay.
E ele começou a falar mal dos héteros!"
Me senti, oh meu Deus, não sei explicar!
Mas não sou nada contra à você!
Você me conhece, sabe que falo com todo mundo!
A gente tem que respeitar todos!
Jesus Cristo, respeitou todos!
Respeitou até uma mulher! um cavalo, e uma barata!
Por que não respeitaria os homossexuais?



terça-feira, 9 de abril de 2013

Improvável!?



Pois é, encontrar com um Físico do primeiro ano, que mora um ponto antes da sua casa, é sem dúvidas como dizia Douglas Adams, um caso de Probabilidade Infinita. Ainda mais, do diurno, sendo eu do noturno. E para completar, estava lendo IlyaPrigogine, um dos grandes cientistas que tratam da física do não-equilíbrio da atualidade (pena que este morreu em 2003), isto é, de sistemas complexos. Onde ele prega o fim do determinismo cientifico, e da era do fim das certezas. Aí, veio na cabeça a ideia de Leibniz, físico, matemático do século XVII que era totalmente determinista (apesar de ter contribuído junto com Isaac Newton, nas "novas matemáticas"), com a sua teoria do monadismo, onde num determinado momento, os caminhos que ligam as pessoas e toda a natureza iriam se cruzar. É, entrei e vivenciei uma situação adequada para ler e entender as ideias de Prigogine, onde há uma série de fatores estatísticos, e não determinísticos. *Enfim, a resposta é 42*

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

VIII - XXIII Poefísica de Amor


Nossas almas são campos neste universo
Somos a unificação do elétrico com magnético
Um existe para que o outro possa existir
Propagamos no vasto vazio
Da permissividade elétrica à permeabilidade magnética
Desta relação surge a Luz
Das simetrias vista por Maxwell
As quatro equações descrevem

Elas são belas se olhar a essência
Assim como o amor que é irracional equacionar
Da relação eletromagnética têm-se duas naturezas
Eu e você

A ciência avança. O próximo passo são as quatro forças
A história demonstra, ela conta. Explica a evolução
É construída cheia de música, poesia e lirismo
Nunca acaba só somam experiências
O mesmo diria para o amor
Construímos juntos os constituintes do universo
Cada elemento, cada cor, cada palavra e seus gestos
Mergulhamos um ao campo energético do outro
Sofremos influências, interferências e leves perturbações
Mas continuamos a segui a trajetória
Como dois feixes de luz a cruzarem caminhos.
Somos exatamente a intersecção
Do verde e vermelho, tornamos amarelo
Da mistura de nossas almas somos a cor composta

Hoje preciso do seu amor
A luz precisa da eletricidade
Este poema lido na Web precisa do magnetismo
Criamos uma dependência, um ciclo vicioso
Amanha seremos as quatro forças
Toda a natureza quântica gravitacional unificada
E quando morrermos não deixaremos de existir
Apenas tornaremos almas num referencial relativístico 

VII - XXIII Poefísica de Amor

O carnaval e suas múltiplas cores
No bloco do samba, e nas alas da vida
As cores são como memórias breves
Do dia que irá se encerrar numa quarta-feira
Tornando cinza no intermédio de todas as cores à ausência.

Se o nosso amor é como o arco íris
E o arco íris é a decomposição das cores
O nosso bloco é um prisma
Nosso trajeto é um arco
Nossas cores é um desvio sideral
E cada dia da semana somos um poente
Um espectro do visível, uma luz laser.

Nos lança-perfumes sobem odores
Em passos aglomerados, calores humanos
Nas fantasias Newton surge no imaginário
Das suas cores irradia fenômenos
E todo o povo começa a cantar e urgir
E eu a sonhar, e inventar poesia:

Fevereiro é o verde dos teus olhos
É a sépia que me faz sentir
Amor do vermelho ao violeta

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

IV - XXIII Poefísica de Amor

Sou a onda e você a freqüência
No vai e vem
Ora sou mais você
E você mais eu
Oscilamos no tempo e espaço
Num movimento pendular
Na corda de um violão
Fazemos a nossa música
Sou o agudo, você o grave
Somos contrastes
Preto com branco
Verde com vermelho
Concreto e abstrato
Na dança cósmica
Somos Rádio
Sou onda curta
E onda longa
Você, Mega Hertz
Giga Hertz
Na dança hipersônica
Somos microondas
Sou radar
Você, Tera Hertz
Na dança latente
Somos infravermelhos
Sou o seu amor
Você o meu calor
Somos o infinito que se propaga
Eu o elétrico, você o magnético
Viajamos na velocidade da luz
Prolongamos o tempo
Encurtamos o espaço
E ao tocar os seus lábios
Já não se sabe mais o que fui

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

I - XXIII Poefísica de Amor

Quando olhei nos espelhos dos teus olhos
Via um humano apaixonado
Como um pássaro a lançar o seu primeiro vôo
Como um casulo a desvendar o seu mistério
Seus olhos são como auroras
Cujas intensidades revelavam mundos
A construir harmoniosamente o meu ser
Refletia menor na sua grandeza
Num tom sépia verde
Como um filtro a captar a essência
Ou uma música que pinta a alma
Dentro dos teus olhos saíam raios de luz
Nos recôncavos convexos
Ouviam-se cantos
Moldavam-se palavras
Num simples gesto que lembravam a Pina.