sexta-feira, 9 de março de 2012

Céu de Galileu

    Ver ontem a Lua nascer do "Morro da Coruja" (instituto de física) não tem preço! Ela, toda cheia, laranjinha por conta da poluição atmosférica, e também por conta do índice de refração dos raios vermelhos de menor desvio (os amigos físicos, e astronomos me corrijam, se estiver errado), estava lá, bonita, elegante e atraente. Como não só precisava dela, no outro horizonte, poente, Vênus e mais acima Júpiter (sem dúvidas, Júpiter apareceu quase no mesmo instante que Afrodite!), estavam fazendo a festa celeste. No entardecer, avermelhada, Marte dominava o Céu, sobre Leão. Sem mais...
    Se fosse um Astrologo, diria que os leoninos estão nos seus melhores dias. Tendo Marte sobre a constelação de Leão, e sendo representado por Ares (senhor da guerra) ...eles, digo, os leoninos, irão dominar por esses dias. Mas como não sou astrologo, e sim, estudante que deseja se especializar em astronomia (NÃO ASTROLOGIA!!!) digo que o fato de Marte está sobre leão, é somente uma questão de movimentação planetária. E o fato da constelação de leão está amostra, diria que somente está nos dizendo que está chegando o outono, mas ainda assim terá mais de um mês pela frente. Só quando Leão, as 21h aparece bem no alto do Céu, diremos que começou o outono.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Ó Capitão! Meu Capitão! (Ó Captain! My Captain!) Walt Whitman

Ó Capitão! Meu Capitão! (Ó Captain! My Captain!)
Walt Whitman

Ó capitão! Meu capitão! terminou a nossa terrível viagem,
O navio resistiu a todas as tormentas, o prêmio que
buscávamos está ganho,
O porto está próximo, ouço os sinos, toda a gente está
exultante,
Enquanto segue com os olhos a firme quilha, o ameaçador e
temerário navio;
Mas, oh coração! coração! coração!
Oh as gotas vermelhas e sangrentas,
Onde no convés o meu capitão jaz,
Tombado, frio e morto.

Ó capitão! meu capitão! ergue-te e ouve os sinos;
Ergue-te – a bandeira agita-se por ti, o cornetim vibra por ti;
Para ti ramos de flores e grinaldas guarnecidas com fitas –
para ti as multidões nas praias,
Chamam por ti, as massas, agitam-se, os seus rostos ansiosos voltam-se;
Aqui capitão! querido pai!
Passo o braço por baixo da tua cabeça!
Não passa de um sonho que, no convés,
Tenhas tombado frio e morto.

O meu capitão não responde, os seus lábios estão pálidos e imóveis,
O meu pai não sente o meu braço, não tem pulso nem vontade,
O navio ancorou são e salvo, a viagem terminou e está concluída,
O navio vitorioso chega da terrível viagem com o objetivo ganho:
Exultai, ó praias, e tocai, ó sinos!
Mas eu com um passo desolado,
Caminho no convés onde jaz o meu capitão,
Tombado, frio e morto"

(Tradução de Maria de Lurdes Guimarães)

(nota: ao Jair, grande professor de história!)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Morte dos Girassóis

Gostaria de escrever um poema;
Um poema que fosse repleto de poesia;
Poderia começar a dizer que vivo em moema;
E para rimar viveria em maresia.

Mas assim a rima fica fácil;
É que na verdade moro no grajaú;
Como preciso ser ágil;
Diria que guardo um baú.

Nele encontra todo o mistério;
Minha vida,
Meus amigos,
Minhas músicas,
E meus familiares.

Esse baú poderia ser como a caixa de pandora;
Quando abro saem todas as lembranças;
Não os males do mundo,
Terremotos, erupções e chuvas,
Mas saudades, amores e girassóis.

Gostaria de fazer uma poesia que falasse dos girassóis
Das margaridas,
Das orquídeas,
Das rosas.

E isso só quando penso em girassóis;
Caso contrário faria uma poesia sobre a morte,
A violência,
O preconceito,
E a intolerância.

Muitos diriam que não seria uma poesia;
Se falasse da violência que gera o preconceito;
Que cria a intolerância;
E que leva até a morte.

Na semana passada, por exemplo, João Paulo foi morto a vinte e três facadas,
Dois tiros na cabeça,
E os órgãos arrancados;
Encontrado num terreno baldio.

No último pôr do Sol deslumbrante, João Paulo encontrado no terreno de girassóis,
Manchados de pigmentos vermelhos,
Perfurados por várias regiões do corpo,
Foi levado ao ML.

Joao Paulo morreu repleto de poesia,
Suas imagens foram divulgadas no D’Atena,
Depoimentos dos familiares que reconheceram seu corpo foram arquivados,
Trabalhador, pai de família, deixou uma criança de sete meses e uma de quatro anos.

Os girassóis nunca mais nasceram,
O Sol não amanheceu,
É tempo de lutos.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Minha opção: um poema decifrável

d’EUs, é a racionalIDADE do antropo, que é HOMOsapiens.
SEXUALidade, VERaCIDADE que DORme nesta maDROGAda TERra da gARoa;
Faça-te teu conSOLO como mil HOMENagens;
SEM ter e senTIr, oh CORoa;

reVISITAda, São Paulo de OUTROra de hoje,
Que VEM de mim para o outro;
SuJEITO que não me quer bem, oh seu caboje;
Saio de ti e desENCONTRO;

Vejo muitas pELES e engrenagens;
E sei que, quANDO a ti, me magoa;
Navegarei em busca de novas paisagens;
Para conSEGUIR liberdade como um pássaro que voa.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Para Oswald de Andrade

Venho bebendo os mortos já faz um tempinho, não os que se foram, mas os que permanecem em suas obras, relatos e artigos. Em homenagem a um morto que ontem bebi, e hoje completaria 122 anos, cujos fragmentos do "Manifesto Antropófago" comi. Devorarei-o agora seu corpo. Viva Oswald de Andrade. É estranho dedicar uma carta a um cadaver, sabendo que nunca lerá, mas dedico propriamente a carta, as diversas partes do seu corpo, das suas idéias que prevaleceram e foram fragmentadas em cada um de nós. Então, para os apreciadores deste gênio do modernismo e grande pesquisador, dedico a carta a vocês. Digo que irei devorá-lo, pois não sou conhecedor de sua atmosfera literária. Sou um leigo em seu universo. O pouco que me aventurei já me identifiquei, não só eu, mas em todas as influências culturais que existem aqui no Brasil. Seu manifesto é um trabalho que irá dialogar muito com a cultura brasileira, isto é, um pouco das raizes africanas, européias e até mesmo a cultura dos "indigenas". Tive a honra de conhecer mais afundo seu trabalho, pelo grande dramaturgo "Zé Celso" em seu espetáculo: macumba antropófaga. Zé Celso bebe de Oswald, que bebe da vanguarda européia. E eu que continuarei a beber dele e tantos outros. E espero que bebam de mim. E é assm que se faz um ritual antropofagico, o canibalismo de devorar a cultura do outro e ser devorado. Hoje irei devorar meus amigos, amanhã será eles, e é assim que se constrói o conhecimento. E como diria Arnaldo Antunes: "que preto, que branco, que índio o quê?" "aqui somos mestiços mulatos, cafuzos, pardos, mamelucos, sararás, crilouros, guaranisseis e judárabes". Também bebo e como muito de Arnaldo Antunes. E para dar sentido a carta escrita para um cadaver, juntamos toda sua produção literária e toda gente que está influenciada pelo seu repertório, e em união seremos Oswald de Andrade.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Mensagem de fim de ano

Engraçado, esse é o segundo ano que termino lendo Caio Fernando Abreu (agora também lendo a Hilda Hilst). E ontem, lendo Fragmentos, uma frase dele me despertou um grande conforto:


"Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o que, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que leve para longe da minha boca este gosto podre de fracasso, este travo de derrota sem nobreza, não tem jeito, companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos um mapa algum, ninguém dá mais carona e a noite já vem chegando."

É Caio F, o que seria se eu não lesse nada seu? rsrsrs. Sem dúvidas você está entre os meus mais queridos de tudo que até agora conheci na literatura. O ano de 2012 está chegando e acima de tudo desejo a todos...

"Que Seja Doce" 



E aos meus amigos que ficaram marcados e conviveram comigo esse ano inteirinho, Fernanda Nunes, Paulos Araujo, Karina Flores Sampaio, Marta Rodriguês, Cris Moreira e tantos outros! "We Are The Champions My Friends" Beijos à todos, a todos, a todos.

Atenciosamente, Claudemir B.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Correspondências de fim de ano





Conheci a Hilda Hilst lendo Caio Fernando Abreu. Ontem terminei de ler o primeiro livro dela que tive a coragem de me aventurar na sua literatura, O Caderno Rosa de Lori Lamby. Haja fôlego para ler, pelo menos esse livro. Conteúdo denso, e te grande teor obsceno. Mas muito bom!!! Em baixo segue a carta que havia lido, e me interessado pela Hilda. O mais incrível é que ele fala da Clarice Lispector que amo-a também. Tive orgasmos literários hoje! e olhando videos no you tube, como não bastasse encontro o Zeca Baleiro e a Zélia Duncan falando da mesma!

Carta - 1970

"Hildinha, a carta para você já estava escrita, mas aconteceu agora de noite um negócio tão genial que vou escrever mais um pouco. Depois que escrevi para você fui ler o jornal de hoje: havia uma notícia dizendo que Clarice Lispector estaria autografando seus livros numa televisão, à noite. Jantei e saí ventando. Cheguei lá timidíssimo, lógico. Vi uma mulher linda e estranhíssima num canto, toda de preto, com um clima de tristeza e santidade ao mesmo tempo, absolutamente incrível. Era ela. Me aproximei, dei os livros para ela autografar e entreguei o meu Inventário. Ia saindo quando um dos escritores vagamente bichona que paparicava em torno dela inventou de me conhecer e apresentar. Ela sorriu novamente e eu fiquei por ali olhando. De repente fiquei supernervoso e sai para o corredor. Ia indo embora quando (veja que GLÓRIA) ela saiu na porta e me chamou: - “Fica comigo.” Fiquei. Conversamos um pouco. De repente ela me olhou e disse que me achava muito bonito, parecido com Cristo. Tive 33 orgasmos consecutivos. Depois falamos sobre Nélida (que está nos States) e você. Falei que havia recebido teu livro hoje, e ela disse que tinha muita vontade de ler, porque a Nélida havia falado entusiasticamente sobre Lázaro. Aí, como eu tinha aquele outro exemplar que você me mandou na bolsa, resolvi dar a ela. Disse que vai ler com carinho. Por fim me deu o endereço e telefone dela no Rio, pedindo que eu a procurasse agora quando for. Saí de lá meio bobo com tudo, ainda estou numa espécie de transe, acho que nem vou conseguir dormir. Ela é demais estranha. Sua mão direita está toda queimada, ficaram apenas dois pedaços do médio e do indicador, os outros não têm unhas. Uma coisa dolorosa. Tem manchas de queimadura por todo o corpo, menos no rosto, onde fez plástica. Perdeu todo o cabelo no incêndio: usa uma peruca de um loiro escuro. Ela é exatamente como os seus livros: transmite uma sensação estranha, de uma sabedoria e uma amargura impressionantes. É lenta e quase não fala. Tem olhos hipnóticos, quase diabólicos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la. Muita gente deve achá-la antipaticíssima, mas eu achei linda, profunda, estranha, perigosa. É impossível sentir-se à vontade perto dela, não porque sua presença seja desagradável, mas porque a gente pressente que ela está sempre sabendo exatamente o que se passa ao seu redor. Talvez eu esteja fantasiando, sei lá. Mas a impressão foi fortíssima, nunca ninguém tinha me perturbado tanto. Acho que mesmo que ela não fosse Clarice Lispector eu sentiria a mesma coisa. Por incrível que pareça, voltei de lá com febre e taquicardia. Vê que estranho. Sinto que as coisas vão mudar radicalmente para mim – teu livro e Clarice Lispector num mesmo dia são, fora de dúvida, um presságio. Fico por aqui, já é muito tarde. Um grande beijo do teu"

Caio F.