segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

IV - XXIII Poefísica de Amor

Sou a onda e você a freqüência
No vai e vem
Ora sou mais você
E você mais eu
Oscilamos no tempo e espaço
Num movimento pendular
Na corda de um violão
Fazemos a nossa música
Sou o agudo, você o grave
Somos contrastes
Preto com branco
Verde com vermelho
Concreto e abstrato
Na dança cósmica
Somos Rádio
Sou onda curta
E onda longa
Você, Mega Hertz
Giga Hertz
Na dança hipersônica
Somos microondas
Sou radar
Você, Tera Hertz
Na dança latente
Somos infravermelhos
Sou o seu amor
Você o meu calor
Somos o infinito que se propaga
Eu o elétrico, você o magnético
Viajamos na velocidade da luz
Prolongamos o tempo
Encurtamos o espaço
E ao tocar os seus lábios
Já não se sabe mais o que fui

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

I - XXIII Poefísica de Amor

Quando olhei nos espelhos dos teus olhos
Via um humano apaixonado
Como um pássaro a lançar o seu primeiro vôo
Como um casulo a desvendar o seu mistério
Seus olhos são como auroras
Cujas intensidades revelavam mundos
A construir harmoniosamente o meu ser
Refletia menor na sua grandeza
Num tom sépia verde
Como um filtro a captar a essência
Ou uma música que pinta a alma
Dentro dos teus olhos saíam raios de luz
Nos recôncavos convexos
Ouviam-se cantos
Moldavam-se palavras
Num simples gesto que lembravam a Pina.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Último Suspiro

É preto?
É viado?
É pobre?
É sem terra?
Tá fodido. Entendeu? Fodido!
Se for mulher, negra, pobre, lésbica, até puta, tá fodida. Entendeu? Fodida!
Pois é, também to fodido. Sou preto, gay, pobre, moro na periferia, e também soropositivo. Tá me entendendo? Tá entendendo? Também sou travesti. Aprendi a ser quando criança. Morador do Grajaú, a família não tinha nem o que comer. Não tinha dinheiro para se viver. Meu Pai mata homem, minha mãe furta, e eu dava o cú. Ta me entendendo? dava o cú por R$ 20,00, R$ 50,00 e até por R$ 100,00, quando fazia o serviço completo. Tá entendendo? Dei a porra para gringo também. Eles só queriam saciar dos prazeres, nunca, nunca pensaram em me tirar dessa vida. Tá entendendo? Estudei até a sexta série. Comia o lanche da escola, bagunçava muito, mas os professores consideravam eu um bom aluno. Os alunos me chamavam de  escroto, de nojento, bichinha, e até de bactéria. Tá me entendendo? To ou não to fodido? Fala? To fodido sim! Tá entendendo? Pastores da minha rua falam que tenho ainda salvação. Que tenho que conhecer Jesus. Que tenho que aprender a amar as pessoas. Que vivo uma vida de pecados. Que tenho um transtorno mental. E mesmo assim, Deus olha por mim. Ta me entendendo? Fala, porra alguma coisa. Não me deixe falando sozinho! Fala, Leo, Fale! Sabia que você era a única pessoa que me deixava feliz, e que talvez tenha me amado verdadeiramente. Não me deixe só. Também vou morrer em breve. Tá me entendendo? Quer que eu roube mais remédios? Não vá Leo, Já to fodido o bastante! Não me fode mais. Leo, Leo, Leo...

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Homossexualidade não é doença!


domingo, 11 de novembro de 2012

Ronda

grajaú...
jardim mirna...
vila são josé é pertinho daqui...
medo é da policia...
passa a viatura, e os caras olham com olhos de fogo,
arma para fora da janela.
PM, nas noticias nas FM 88.3,
nas AM 538 PCC
85º DP
onibus queimado

vitimas
estudantes
toque de recolher
paraisópolis
são remo
perifa.
o que fazer

domingo, 28 de outubro de 2012

É agora José

E agora José?
E agora nada,
Você perdeu,
Você foi rejeitado
Daqui a pouco vai ficar sem mulher
Vai continuar com seu discurso
O centrão vai com você
A noite cai
O dia de amanhã virá
O riso virá

E agora José?
Sua fria palavra
Suas promessas não cumpridas
Seus lacaios
Sua banca
Essa merda
E agora?

Toma aí um gole de pinga
Vai pra casa
Quer ir pra minas?
vá-te
Não retorne mais
não governe mais

José tá na hora!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Numa conversa Política, eis a minha resposta:


snif... como não difere? caríssimo "fulano", aqui a miséria é extrema! não há como comparar com outras cidades. Sabemos, e isso é lógico, numa sociedade capitalista, a desigualdade social é gritante! Quando mais capital é gerado num Estado, Cidade, Local, mais extremidades encontramos! Mais índices de analfabetismo, mais escassez é a saúde, quando que
 um partido preza mais os que já tem! Se você acha que esse meu discurso é cíclico, sempre a mesma cartilha de militante, é porque a política que querem instaurar no sistema é contra os meus fundamentos, é contra o que eu acredito. Eu não só olho por um problema, tento enxergar sempre os que estão a merce disso tudo. E estou do lado de quem é o oprimido! estou do lado de políticas públicas que prezam a igualdade de gênero, que prezam uma boa educação, que prezam uma boa saúde, que lutam por uma reforma agrária, que luta para um país melhor, que sonha com a erradicação da pobreza extrema. É isso que busco, não estou apoiando o Haddad, o Serra, estou apenas afirmando o que tenho observado no meu, no seu, no nosso cotidiano. Mas se não queres dar atenção a isso tudo que vem acontecendo, que facilmente não há quem não entenda onde começa o problema, é você que decide. Se queres que alguém te convide para para ir na USP, ou na PUC, esse não é o problema, sou estudante da USP ("grande coisa"), e tenho muitos amigos, bolsistas da PUC, inclusive uma historiadora marxista... está aí o convite, e não moro num bairro nobre, assim como esses meus amigos... mas se tratar de universidade não vem a questão propriamente dito, o que importa é o nosso alfabetismo político. Assim como eu, você, por mais que tenhamos idéias que se diferem, fomos formados pela constatação e observação de mundo. Abaixo colocarei um poema de Bertold Brecht que acho que cabe bem num discurso como esse... 

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário 



Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável 



Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei 



Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.